ALMIR SATER (MÚSICA)

ALMIR SATER
ALMIR EDUARDO MELKE SATER
MÚSICA SERTANEJA
MÚSICA CAIPIRA


INTRODUÇÃO

Almir Sater é o nome artístico de Almir Eduardo Melke Sater, um talentoso, sensível, delicado e bem sucedido cantor, compositor e violonista brasileiro de música sertaneja, com elementos e tendências de folk, MPB, country, caipira, guarânia e blues, dentre outros ritmos e estilos, com sucesso alcançado e mantido nas décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010, principalmente em tom de barítono, geralmente transitando entre a textura média e grave, mas atuando também como um grande compositor das músicas sertaneja e caipira e com trabalhos esporádicos como ator de TV em novelas.


Atualmente ele ainda faz apresentações musicais em casas de shows, feiras agropecuárias e exposições agrícolas, embora agora em ritmo bem mais tranquilo que antes, principalmente em razão da idade. Alguns anos atrás ele esteve presente no elenco de algumas novelas da TV Globo, como em Pantanal, em 2022, e Renascer, em 2024.


Durante o período de intensa atividade, nas décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010, o icônico cantor sertanejo brasileiro Almir Sater obteve o reconhecimento da crítica musical brasileira, da indústria fonográfica, da mídia em geral e do público pelo bom gosto e refinamento musicais, pela originalidade, pela sensibilidade musical, pela delicadeza das composições e dos arranjos e pela precisão na execução dos arranjos, um artista multipremiado, sendo agraciado duas vezes com o prêmio Grammy, em parceria com Renato Teixeira, em 2016 e 2018, com os álbuns AR e +AR.


Grande parte do seu trabalho, em mais de 40 anos de carreira sólida, tem uma forte inclinação para a sonoridade da música country americana, da música caipira brasileira e da folk music americana. A influência da country music e da folk music em seu trabalho é tão forte que por alguns anos ele chegou a morar nos Estados Unidos, foi convidado a fazer inúmeras apresentações musicais por lá, inclusive em Nashville, considerada a capital da música country americana, e gravou alguns de seus discos no exterior, a convite de gravadoras, produtores musicais e instrumentistas americanos. 


Entre as faixas mais marcantes de Almir Sater, consideradas até mesmo pelos mais exigentes críticos musicais como clássicos da música sertaneja brasileira e da música caipira brasileira, estão Mês de Maio, Um Violeiro Toca; Tristeza do Jeca; Tocando em Frente; Jeito de Mato (com participação especial de Paula Fernandes); Chalana; Do Amanhã Nada Sei; Cabecinha no Ombro; Comitiva Esperança (com participação especial de Sérgio Reis); Boiada; Assim os Dias Passarão; Piracicaba; Romaria (uma música muito sensível e delicada, de cunho católico, de autoria de Renato Teixeira, regravada por Almir); Piracicaba; Caminhos Me Levem; Simples; Trem do Pantanal; Moda; A Saudade é Uma Estrada Longa; Peão; e Corumbá; algumas delas até consideradas obras primas da música brasileira.


Esse famoso veterano da música sertaneja brasileira é respeitado e considerado uma referência em alta qualidade musical para as novas gerações de cantores e, em algumas ocasiões, esteve ao lado, trabalhando em conjunto, com outros grandes nomes da música sertaneja e da música caipira brasileira, como Renato Teixeira, Tião Carreiro, Rolando Boldrin e Sérgio Reis, por exemplo, dentre muitos outros.


A WARNER MUSIC

Atualmente, a Warner Music Group é uma holding que controla uma variedade de gravadoras dos mais variados estilos musicais. A Warner Music Records, por exemplo, é uma subsidiária da Warner Music Group, a terceira maior companhia proprietária de gravadoras do mundo, atrás apenas da Universal Music, a maior, e da Sony Music, a segunda maior do planeta.


A Warner Music Group foi propriedade do conglomerado gigante de telecomunicações e mídia Time Warner até 2004, teve ações colocadas no mercado acionário americano a partir de então e atualmente é propriedade da Acces Industries. Ela possui atualmente as gravadoras Continental / East West Music, Atlantic Records, Rhino Entertainment, Warner Bros Records, Parlophone, Warner Music Nashville (música country), Maverick Records, Warner Chappell, WEA International, a Elektra Records e a Sire Records.


Essa holding emprega atualmente mais de 3.500 pessoas e opera em mais de 50 países.


Durante as décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010 o cantor sertanejo Almir Sater assinou contratos de gravação, marketing e distribuição com as gravadoras e/ou selos RGE, comprada pela Som Livre, que, por sua vez, foi compra pela Sony Music; assinou contrato com a Continental, que foi comprada pela Warner Music; pela Velas e pela Universal Music. Além disso, ele possui uma gravadora própria, a Cantaville, com a qual lançou alguns álbuns próprios.


A MÚSICA SERTANEJA

A chamada música sertaneja contemporânea ou, simplesmente, música sertaneja é um típico gênero musical rural brasileiro que alcançou o seu auge de popularidade nas décadas de 1980 e 1990, principalmente nos estados brasileiros de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Tocantins, não por acaso alguns dos principais estados produtores pecuários e agrícolas do país.


Ela é diretamente derivada da chamada música sertaneja caipira ou, simplesmente, música caipira, por sua vez fortemente popularizada no Brasil nas décadas de 1960 e 1970, principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás (na época ainda não existia Tocantins), Mato Grosso (na época ainda não existia Mato Grosso do Sul), Santa Catarina e Rio Grande do Sul.


Por se tratar de um gênero musical rural simples, modesto, despretensioso e totalmente acústico, quase sempre retratando a vida do homem do campo da época, a música caipira era vítima frequente de preconceitos de parte da população urbana brasileira nas décadas de 1960 e 1970, principalmente dos mais jovens, inclusive tachada de “brega”, “ultrapassada”, “reba”, “cafona”, “bruta”, “mal educada”, “sem graça”, “barrela”, “rude” e “quadrada”, entre outros adjetivos pejorativos.


Apesar disso, já na década de 1970 ela era executada com regularidade em programas populares das rádios AM, ouvidas principalmente pelo público urbano e rural adulto e idoso, portanto mais maduro, porém encontrava resistência junto às rádios FM, com público mais jovem e urbano, ávido por novidades e ousadias, o que levou os músicos do gênero, os produtores musicais e as gravadoras submeterem a música caipira a uma reformulação e modernização, “um banho de loja”, digamos, a partir da década de 1980, para vencer essa resistência, com a introdução de elementos de outros gêneros, inclusive, como o soul, o blues, a MPB, o folk, a jovem guarda, o bolero, o rock, o mariachi, o R&B, a guarânia e até o country, principalmente com a introdução da guitarra, do baixo, da bateria e do teclado ou sintetizador, dando origem assim à música sertaneja contemporânea, mais moderna, que, por sua vez, deu origem, a partir da década de 2000, ao chamado gênero sertanejo universitário, um dos principais produtos atuais da indústria fonográfica brasileira.


Assim como ocorreu com outros gêneros musicais, nacionais e estrangeiros, um fenômeno curioso se repetiu com a música sertaneja e com a música caipira, no passado elas eram consideradas populares e de “de segunda linha”, mas nas décadas mais recentes passaram a ser consideradas cult por muitos colecionadores e críticos de música.


CARREIRA

O cantor de música sertaneja Almir Sater tem uma longa trajetória como artista ligado aos gêneros musicais sertanejo brasileiro, country americano, caipira brasileiro e folk americano, com mais de 40 anos de presença sólida na mídia brasileira, sempre apontado como um dos principais expoentes da música sertaneja e da música caipira de alta qualidade.


Ele nasceu em 1956 na cidade de Campo Grande, na época ainda não uma capital, pois essa região fazia parte de Mato Grosso, cuja capital era Cuiabá. Somente a partir de 1977, durante a administração do então presidente Ernesto Geisel, houve a divisão do estado de Mato Grosso, dando origem aos dois estados, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sendo este com a capital Campo Grande.


Almir nasceu dentro de uma típica família conservadora de descendentes de turcos e libaneses de classe média e tradição católica, alguns deles já com habilidades para tocar instrumentos musicais, como seu avô, por exemplo. Assim, influenciado pela própria família, Almir começou a tocar instrumentos musicais logo cedo, com 12 anos de idade, incluindo violão, piano e sanfona.


Mais tarde, já na década de 1980, já maior de idade, foi estudar Direito no Rio de Janeiro, mas abandonou os estudos depois de ter contato com instrumentistas, cantores e produtores de música sertaneja e música caipira, incluindo Tetê Espíndola e Tião Carreiro, sendo que este último se tornou seu mestre em violão e viola. Além de tocar piano, sanfona e violão, Almir também aprendeu a tocar banjo, um típico instrumento de origem mexicana, mas que foi adotado pela country music americana e pela folk music americana, e viola de 10 cordas.


Por meio desses contatos com artistas e produtores musicais, incluindo Sérgio Reis, ele conseguiu chamar a atenção da gravadora Continental, posteriormente comprada pela Warner Music, e lançou seu primeiro álbum em 1981 com o título Estradeiro, seguido de outros álbuns nos anos seguintes, como Doma, em 1982, lançado pela gravadora RGE, posteriormente comprada pela Som Livre, e Instrumental, em 1985, lançado pela gravadora Som da Gente, no qual está a música Luzeiro, que, aliás, foi escolhida pela TV Globo para a abertura do programa dominical de TV chamado Globo Rural, com foco no agronegócio brasileiro.


A partir desse momento mudou tudo, da água para o vinho. Essa presença na trilha sonora do principal programa de TV focado em agricultura e pecuária do Brasil na época abriu as portas para Almir Sater entrar na elite da música sertaneja, ao lado de outros grandes nomes, como, por exemplo, Milionário & José Rico, Sérgio Reis, Trio Parada Dura, Roberta Miranda, Chitãozinho & Xororó, João Mineiro & Marciano, Chrystian & Ralf, Amado Batista, Mato Grosso & Mathias, Leandro & Leonardo, Sula Miranda, João Paulo & Daniel, Zezé Di Camargo & Luciano, Rionegro & Solimões, Jayne, Tião Carreiro & Pardinho, Perla, Gian & Giovani, Bruno & Marrone, Duduca & Dalvan, Gilberto & Gilmar, Chico Rei & Paraná, Renato Teixeira, Ataíde & Alexandre, Cezar & Paulinho e Rick & Renner, dentre outros, embora uma parte desses citados tenha alcançado o sucesso alguns anos depois.


De modo geral, as letras das músicas de Almir Sater falam de amores, paixões, amizades e relacionamentos familiares, principalmente de relacionamentos amorosos entre um homem e uma mulher, não apenas de personagens que moram e trabalham no campo, mas também de personagens urbanos.


Uma característica marcante dessas letras é que elas abordam a vida do homem do campo, dos produtores rurais, seus sentimentos e modo de pensar, algumas delas espelhando fielmente o modo simples de falar dessas pessoas, como, por exemplo, a expressão “os zóios dos bichos” presente na música Um Violeiro Toca, uma composição sensível e delicada: Quem disse que homem não chora? Prepare o lenço, tem mais ainda: Romaria, Tocando em Frente, Jeito de Mato, Chalana, Do Amanhã Nada Sei, Comitiva Esperança, Peão, etc.


Essas letras falam de relacionamentos bem sucedidos, felizes, outros nem tanto, alguns até “mal resolvidos”, mas há também personagens sonhadores, que se esforçam para melhorar de vida, por exemplo, principalmente falam do homem do campo, do produtor rural, do sertanejo, do proprietário rural e/ou do boiadeiro, aquele indivíduo trabalhador rural, que faz o manejo do gado ou cuida da “prantação”. A maioria das letras é simples, fácil de entender, mas algumas são mais elaboradas, chegando ao ponto de serem consideradas obras-primas da música brasileira.


Por outro lado, Almir Sater conseguiu vencer a barreira do rótulo pejorativo de “caipira”, o que significa que ele realmente possui um trabalho sólido, com letras simples sim (por que não?), mas bem escritas, com gramática correta (algumas palavras com gramática incorreta estão ali intencionalmente, para refletir o modo de falar do homem do campo. Entende agora?), e músicas de qualidade e bom gosto, com arranjos esmerados e execução primorosa dos arranjos. Desde o início da carreira, na década de 1980, ele conquistou o respeito do público, da mídia, da indústria fonográfica e da crítica de música.


Na década de 1980, Almir Sater já era ator, mas ele ganhou projeção nacional como ator a partir da década de 1990 com a primeira versão da novela Pantanal, do autor Benedito Ruy Barbosa, exibida inicialmente pela extinta TV Manchete, interpretando o personagem Trindade, um personagem charmoso, bonito, mas, ao mesmo tempo, meio misterioso e que, segundo as “más línguas”, possuía um “pacto com o Diabo”... Mais tarde, décadas depois, no remake ou refilmagem da novela Pantanal, desta vez produzida, filmada e exibida pela TV Globo, em 2022, o mesmo personagem foi interpretado pelo filho de Almir Sater, Gabriel Sater, que também é músico.


Além de atuar na novela Pantanal, em 1990, Almir Sater fez uma parceria com o também cantor e ator sertanejo Sérgio Reis na novela O Rei do Gado, de 1996, também exibida pela TV Globo, ambos atuando como a dupla de cowboys e cantores sertanejos Pirilampo e Saracura.


Atualmente, ele mora em sua própria fazenda, no Pantanal do Mato Grosso do Sul.


Ele é cristão, mas não segue uma denominação específica.


DISCOGRAFIA

O já veterano cantor sertanejo Almir Sater, atualmente com 70 anos de idade, é considerado uma das mais icônicas e respeitadas figuras da música rural do Brasil, um exemplo de bom gosto musical, com vários hits considerados clássicos da música sertaneja brasileira. O trabalho desenvolvido por ele, principalmente em parceria com Renato Teixeira, outro ícone da música sertaneja, principalmente nas décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010, em cerca de 40 anos de intensa atividade, é digno de ser apreciado pelos ouvidos mais exigentes e refinados.


Com mais 200 músicas escritas, arranjadas e gravadas, incluindo versões diferentes da mesma música, remasterizadas e remixadas, inclusive, ele está entre os mais bem sucedidos artistas do Brasil, embora não tenha sido uma unanimidade entre todas as comunidades urbanas, mais cosmopolitas, mais “moderninhas” e “descoladas”, avessas ao conteúdo “conservador” da música sertaneja. Mas, como diz o ditado: Nem Jesus Cristo conseguiu agradar a todos. Então paciência.


Foram mais de 19 álbuns lançados desde o início da carreira, dos quais pelo menos 4 são álbuns de coletânea, com músicas remasterizadas e remixadas, alguns deles inclusive com músicas incluídas em trilhas sonoras de novelas, como Fera Radical, da TV Globo, em 1988; Pantanal, da TV Manchete, em 1990; Ana Raio e Zé Trovão, também da TV Manchete, em 1991; O Rei do Gado, da TV Globo, em 1996; Bicho do Mato, da TV Record, em 2006; o remake de Pantanal, da TV Globo, em 2022; e Renascer, também da TV Globo, em 2024.


Por décadas Almir Sater esteve no topo da indústria fonográfica brasileira, entre os mais bem sucedidos artistas da chamada música sertaneja contemporânea e da chamada música sertaneja caipira, mas sempre com forte inclinação para a country music americana e para a folk music americana.


Em 2012 ele foi incluído na lista dos 30 maiores ícones da MPB – Música Popular Brasileira pela revista Rolling Stone Brasil, ao lado de outros artistas emblemáticos, como, por exemplo, Jorge Ben, Roberto Frejat, Herbert Viana, Lulu Santos, Roberto Menescal e Toquinho.


ÁLBUNS ORIGINAIS

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A discografia de Almir Sater é composta por 15 álbuns principais, 4 coletâneas de músicas remasterizadas e/ou remixadas e 20 participações especiais em álbuns de terceiros, incluindo acústicos ou semiacústicos, ao longo de mais de 40 anos de carreira, incluindo parcerias com Renato Teixeira, Paula Fernandes, Sérgio Reis, Tião Carreiro & Pardinho, Chitãozinho & Xororó, Fagner, Milton Nascimento e Roberto Carlos, dentre outros.


ÁLBUNS DE ESTÚDIO

1981 – Estradeiro (LP e K7)

1982 – Doma (LP e K7)

1985 – Instrumental (LP e K7)

1986 – Cria (LP e K7)

1988 - Almir Sater (LP e K7)

1989 - Rasta Bonito (LP e K7)

1990 - Pantanal (LP e K7)

1990 - Instrumental 2 (LP e K7)

1992 - Almir Sater Ao Vivo (CD e LP)

1994 - Terra de Sonhos (CD)

1997 - Caminhos Me Levem (CD)

2006 - 7 Sinais (CD)

2015 - AR (com Renato Teixeira)

2018 - + AR (com Renato Teixeira)

2022 - Do Amanhã Nada Sei (download)

 

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FICHA TÉCNICA

  • Gravadoras: Continental (Warner), RGE / Som Livre (Sony) e Cantaville;
  • Nome original: Almir Eduardo Melke Sater
  • Nome artístico: Almir Sater
  • Origem: Brasil;
  • Início de carreira: Década de 1980;
  • Auge da carreira: Décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010;
  • Gênero: Sertaneja, caipira, country, folk e guarânia, dentre outros;
  • Resultado comercial: + de


A SERTANEJA E SUAS PRIMAS


REFERÊNCIAS E SUGESTÃO DE LEITURA

  • Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Almir_Sater
  • Giannini (divulgação): Imagem
  • Warner Music (divulgação): Imagens
  • Wikimedia: Imagens

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