ARADO (AGRICULTURA E PECUÁRIA)

ARADO
TOMBADOR
SUBSOLADOR
GRADE


INTRODUÇÃO

O arado é um implemento agrícola milenar usado na agricultura e na agropecuária para a preparação da terra para o plantio em geral. A sua principal função é cortar, revolver, descompactar, permeabilizar e arejar o solo para torná-lo mais adequado para o plantio em geral, seja por meio de sementes ou seja por meio de ramas ou mudas, dependendo de cada caso.


Existem vários tipos de arados, antigos e modernos, incluindo o arado propriamente dito, conhecido também como arado de aiveca; o arado tombador; o arado de grade; e o arado subsolador. Portanto, o termo arado é genérico, ou seja, qualquer tipo de implemento agrícola que tenha a mesma função de cortar, revolver, descompactar, permeabilizar e arejar o solo durante o preparo para plantio pode ser considerado um arado.


Atualmente, os tipos de arados mais comuns para emprego na agricultura e na agropecuária são o tombador, um robusto implemento com três discos metálicos para ser acoplado em tratores e puxado sobre a superfície do solo a ser cultivado; o subsolador, composto por hastes metálicas curvas e dispostas sobre o solo, também tracionado por trator e também para descompactação e aeração; e a grade, que, geralmente, é usada para preparar o solo com mais uniformidade ou suavidade, digamos, principalmente para o lançamento de sementes, também tracionada por trator.


PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

O arado é um implemento agrícola que serve para lavrar o solo, ou seja, para preparar o solo para o plantio em geral, puxado com um trator sobre a terra com o objetivo de cortá-la, revolvê-la, descompactá-la, permeabilizá-la e arejá-la, tornando-a assim mais adequada para receber os corretivos de solo (calcário e gesso agrícola, por exemplo), os fertilizantes de solo (NPK, por exemplo) e, finalmente, para receber as sementes, as mudas ou as ramas para a conclusão de uma das etapas de cultivo do solo, que é a aração (não confundir com aeração), a etapa que precede o plantio.


Ele é utilizado para viabilizar um melhor desenvolvimento das raízes das plantas, tornando o solo menos compacto, portanto mais receptivo para as raízes. Nas regiões mais frias, por exemplo, ele expõe o subsolo à ação do sol, ajudando a aumentar a temperatura e apressando o degelo. De modo geral, ele enterra os restos superficiais de culturas agrícolas anteriores, o que ajuda no aproveitamento delas como fertilizantes naturais. Além disso, ele melhora a infiltração de água no solo e a sua aeração (não confundir com aração), além de realizar a construção de curvas de níveis, quando necessárias.


De modo geral, o trabalho de cultivo do solo inclui algumas etapas agrícolas que antecedem a semeadura. A aração permite o revolvimento do solo, a sua descompactação, a sua permeabilização, o arejamento ou aeração e possibilita o desenvolvimento dos organismos úteis, como as minhocas, por exemplo, além de misturar os corretivos e os adubos com o próprio solo.


A maioria dos arados mais modernos é capaz de descompactar uma camada de solo que pode chegar aos 40 centímetros de profundidade.


Embora seja inegável a importância do arado para o desenvolvimento da agricultura moderna, incluindo o aumento da produtividade de alimentos a nível mundial, milênio após milênio, século após século, alguns tipos de arado, como o arado de disco, por exemplo, conhecido também como arado tombador, são, atualmente, criticados por correntes de pensamento focadas em produção agrícola sustentável por expor a terra ao processo de lixiviação e, consequentemente, ao processo de erosão e à perda de nutrientes causada pelas chuvas fortes durante as etapas de preparação do solo.


A alternativa mais ecologicamente correta, então, seria o arado subsolador, com hastes metálicas.


HISTÓRIA

O arado pode ser considerado o mais antigo e importante implemento agrícola inventado pela humanidade. Ele é milenar, mas sua origem não está muito clara, porque depende de uma definição prévia sobre os elementos que compõem o arado. Se o conceito de arado compreende simplesmente uma estrutura em forma de delta com uma ponta triangular utilizada para descompactação do solo, então os primeiros modelos de arados, totalmente construídos em madeira e, acredite, puxados por seres humanos, foram inventados entre 7.000 anos e 6.000 anos antes do nascimento de Jesus Cristo.


Portanto, é possível afirmar que o arado puxado por animais de tração, como bois e cavalos, por exemplo, inventado milênios depois dos arados puxados por humanos, foi uma das mais importantes invenções da humanidade, por permitir a produção de crescentes quantidades de alimentos e o estabelecimento de populações estáveis.


Por volta de 4000 a.C. ou antes do nascimento de Jesus Cristo o ser humano cansou de vagar em busca de terras boas e virgens para o cultivo e de depender de minhocas para preparar o solo. Antes disso, nossos antepassados usavam galhos de árvores para descompactar o solo e fazer sulcos onde eram colocadas as sementes, ramas ou mudas, como enxadas primitivas. Na sequência, surgiu um implemento primitivo com três peças de madeira fixadas em forma de delta ou triângulo, com uma pedra lascada na ponta desse delta. Esse é considerado o primeiro arado da história, puxado por animais.


Como nessa época o ser humano já estava começando a dominar a chamada metalurgia primitiva e a domesticação de animais, o próximo passo foi trocar o arado com pedra lascada pelo arado com uma peça metálica em sua ponta. Os sumérios foram os primeiros a utilizarem arados tracionados por animais.


A partir de então, o ser humano se fixou em aldeias e aumentou consideravelmente sua produtividade, gerando excedentes e, consequentemente, iniciando atividades comerciais com povos vizinhos, o que significa que as sobras ou excedentes eram utilizados como moeda de troca no contexto do escambo, trocados por outras mercadorias de valor equivalente.


Os principais polos produtivos agrícolas na época foram os vales dos rios da Mesopotâmia, Egito, Índia e China, que são considerados alguns dos berços das primeiras civilizações da Antiguidade. Os arados dessa época apenas rasgavam a terra, sem revirá-la, como fazem os arados mais modernos. A invenção do arado foi tão importante que hoje ela é considerada um marco para a Revolução Agrícola, ocorrida milênios depois.


Pelo que se sabe, o arado mais antigo do mundo, disponível para visitação em museu, está exposto no Museu Nacional da Baixa Saxônia, que teria sido inventado no ano 1500 a.C.


EVOLUÇÃO DO ARADO

O arado teve uma evolução lenta, por muitos anos baseando-se apenas em melhorar o implemento de madeira, inicialmente puxado pelo homem e, posteriormente, puxado por animais, para, séculos seguintes, ser melhorado já com a tecnologia de ponta ou lâmina de metal, em substituição à ponta de pedra, libertando então o ser humano de um trabalho tão árduo e trocando por outro trabalho menos cansativo, simplesmente o de manter o equilíbrio do implemento no solo, enquanto os animais tracionavam o implemento. Portanto, com o aparecimento e barateamento do ferro, o arado foi melhorado.


Na Idade Média houve várias conquistas técnicas com o arado de ferro, foram desenvolvidas novas maneiras de se atrelarem os animais ao arado, de modo a permitir que eles fossem utilizados à plena força, inclusive com a substituição do boi pelo cavalo, como animal de tração, já que, aparentemente, o equino é mais dócil e “inteligente” que o bovino.


Em 1730, o Arado de Rotterdam foi patenteado na Inglaterra, com uma estrutura triangular, com a ponta de metal em contato com o solo. No início do século XIX os arados eram feitos de ferro fundido, adequados ao solo arenoso, porém solos mais ricos se agarravam nas partes inferiores do arado, obrigando o operador a parar e raspar a ponta do arado. Em 1837, o ferreiro americano John Deere estudou esse problema e chegou à conclusão que um arado com uma aiveca e uma lâmina com uma forma apropriada, altamente polidas, deveriam limpar-se a si próprias ao torcer sulco de solo grudado no arado


TIPOS DE ARADOS

 

ARADO DE AIVECA

Esse pode ser considerado um dos tipos mais tradicionais de arado e, ao contrário do que possa parecer, ainda é utilizado no Brasil, mas a grande maioria, praticamente todos, puxados por trator. Ele é um arado em ferro e/ou aço na forma de um V, é uma espécie de tombador de terra com uma ponta de metal na extremidade inferior, para tração animal ou mecânica. É um dos mais antigos implementos fabricados para a realização do preparo do solo. No Brasil, esse implemento era destinado à tração animal, mas, atualmente, somente modelos para tração de tratores são fabricados.


Possui diversas versões: O arado de aiveca helicoidal é destinado a uma lavoura superficial e rápida, deixando um solo com torrões grandes; O arado de aiveca semi-helicoidal (Universal ou Americano) é recomendado para uma lavoura normal, deixando torrões grandes na parte inferior e torrões menores na camada mais superficial; O arado de aiveca cilíndrica é recomendado para lavoura com tração animal, deixando torrões de todo o tamanho misturado com o solo pulverizado; O arado de aivecas recortadas é recomendado para solos pegajosos.


Curiosamente, o arado de aiveca produz uma inversão da camada superficial do solo melhor que a do arado de discos ou arado tombador, mas apresenta restrições ao uso em solos com obstáculos, tais como pedras e tocos, caso não haja mecanismos de segurança, com desarme automático. Ele pode ser equipado com vários acessórios, que facilitam o corte vertical do solo e evitam o embuchamento.


ARADO DE DISCOS

O arado de discos rotativos possui grandes discos de aço apoiados em mancais rotativos, para tração mecânica, geralmente puxado por um trator. Conhecido também como arado tombador, ele surgiu como alternativa mais eficiente, mais robusta e mais moderna que o arado de aiveca e teve como ponto de partida a grade de discos, sendo o implemento de preparo de solo mais usado no Brasil, atualmente, devido a sua facilidade de confecção, robustez e melhor adaptação às variadas condições de solos. 


Apesar do movimento giratório dos discos, que cortam o solo e a vegetação, esse tipo de arado requer peso para penetrar no solo; o que não acontece no arado de aiveca, cuja penetração é provocada pela conformação de suas partes. Portanto, os arados de discos são bem pesados.


Ele é ideal para ser usado em solos secos, duros, pegajosos, com raízes e pedras, nos quais as aivecas apresentam dificuldades de operação. Quando o solo é arenoso e limpo pode-se utilizar discos grandes; em solos duros com raízes e restos vegetais, recomenda-se utilizar discos menores e com bordas recortadas.


Um inconveniente deste tipo de arado é que com o passar dos anos e uma utilização contínua, pode haver uma acumulação de terra nos terraços, pois esse tipo joga a terra para um dos lados. Para evitar esse problema, deve ser adotada a prática de se alternar o sentido de tombamento das leivas. Outro inconveniente desse tipo de arado é que uma das rodas do trator passa sobre o sulco aberto, compactando o solo.


Por outro lado, os arados de discos possuem a vantagem de continuarem operando, mesmo depois que seus órgãos ativos tenham sofrido um desgaste considerável, podendo ser utilizados em solos abrasivos sem perda da sua eficiência.


GRADE ARADORA

Também chamado de arado escarificador, possui de cinco a onze ferros ou braços montados em barras paralelas sobre um quadro porta-ferramentas e espaçados entre si de 60 cm a 70 cm, em cada barra, de modo a dar um espaçamento efetivo entre sulcos paralelos de 30 cm a 35 cm. Ele aumenta a rugosidade do solo, quebra a estrutura do solo a uma profundidade de 20 cm a 25 cm, aumentando a capacidade de infiltração de água no solo, diminui a evaporação e quebra a camada compactada, abaixo da área de preparo de solo.


Por causa de sua maior velocidade de trabalho, à medida que se aumenta a área da propriedade há uma preferência dos produtores rurais pela grade aradora em detrimento do arado de disco. Porém, uma desvantagem da grade aradora é que ela provoca grande pulverização do solo, o que pode provocar lixiviação e erosão, principalmente nos terrenos inclinados.


ARADO SUBSOLADOR

Esse é considerado, atualmente, o tipo de arado mais ecologicamente correto, mais sustentável, pois ele evita o máximo possível as ocorrências de lixiviação e erosão em solos inclinados, portanto é o implemento agrícola mais recomendado para o produtor rural que possui terras sujeitas à erosão e lixiviação. Na maioria dos casos, é um implemento robusto e que pode ser acoplado a tratores de média potência.


Trata-se de um implemento agrícola com várias peças metálicas curvas dispostas em série, lado a lado, em formato não muito diferente do arado de aiveca, mas com a vantagem de ser mais eficiente e menos danoso aos solos sensíveis e delicados.


QUESTÕES ECOLÓGICAS

Em regiões de clima tropical e altas temperaturas, como o Brasil, a exposição do solo ao calor do sol pode ter efeitos contrários ao pretendido, com excessiva perda de umidade e extinção da microfauna biológica, que ajuda na decomposição dos restos vegetais sobre o solo, e o aproveitamento dos seus nutrientes. Por isso uma das tendências da chamada agricultura sustentável ou agricultura ecológica é manter o máximo possível dos restos vegetais da cultura anterior sobre o solo, o plantio direto na palha, por exemplo, para que esses restos protejam o solo dos raios solares, com consequente redução da perda de umidade, e projetam o solo da chuva excessiva, que geralmente causa lixiviação e erosão.


A lixiviação é um problema sério porque a enxurrada “leva embora” os nutrientes e corretivos do solo, incluindo aqueles fertilizantes químicos caros que você comprou para sua lavoura. Entre as soluções apontadas para redução dos danos causados pela lixiviação e pela erosão estão as curvas de nível e a adoção de implementos agrícolas menos invasivos, como o arado subsolador, por exemplo.


O preparo do solo com arado de grade, por exemplo, pode provocar lixiviação e erosão se não for realizado com manejo adequado, com assessoria profissional adequada de um engenheiro agrônomo ou técnico agrícola, o que pode ser um problema em regiões de chuvas intensas e de terrenos inclinados.


Por isso, a prática agrícola moderna preconiza uma mínima movimentação do solo, apenas o necessário para descompactá-lo, a utilização do chamado plantio direto, onde apenas uma estreita faixa de terra é revolvida, mantendo-se a cobertura de restos culturais sobre o terreno, o que ajuda na manutenção da umidade e da fertilidade.


Como o arado comum sempre tomba a terra para um mesmo lado é impossível ter-se linhas consecutivas trabalhadas em sentidos inversos. Usam-se então esquemas para dividir a área em glebas, arando umas na ida e outras na volta. É preciso também arar transversalmente à declividade, para não facilitar a erosão. Os implementos agrícolas mais sofisticados usam arados reversíveis por acionamento mecânico ou hidráulico, o que facilita a prática agrícola.


REFERÊNCIAS E SUGESTÃO DE LEITURA

  • Nova Enciclopédia Ilustrada Folha - Larousse / Cambridge / Oxford / Webster
  • Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Arado
  • Wikimedia: Imagens

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